segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Festivais! ... bah.




Vamos lá! Estou tentando me tornar letrista! Já fiz alguns rabiscos e até fui premiado em alguns festivais. Mas digo a vocês que estão começando na música nativista... Não é fácil entrar no seleto grupo ou “panela” das pessoas que participam de festivais de música gaúcha no Rio Grande do Sul. Fico impressionado com a ruindade de muita gente, inclusive a minha! O Festival aqui de Santa Rosa, MUSICANTO, teve 500 músicas consideradas de nível baixo, como me disse uma pessoa que participou da triagem. A minha estava entre estas ruins.

Mas, revire as músicas classificadas em festivais e verás sempre os mesmos. Eles só fazem isso! Gravam mais de 10 músicas por mês e “fincam” goela abaixo nos jurados, que na maioria das vezes, só no escutar a voz do cantor, já sabe quem é.

Então, das 500 e poucas músicas, classificam duas (DUAS!) do mesmo cantor/letrista! Isso mesmo! Em 500 músicas o cara conseguiu classificar 2! Parabéns! Ele é bom! Tudo bem que o tio dele era um dos jurados, mas isso parece fazer parte da cultura gaúcha, são todos parentes! Resumindo, o tio voltou, participou do júri de classificação do festival desse ano e viu o sobrinho classificar duas em mais de 500 composições, e o tio ainda vai fazer um Show durante o evento, pago pelo evento!!! Bah!. ... Isso me repulsa! “Como pode uma pessoa participar de uma triagem e classificar um parente seu?! E 2x?”

Ah! ... E um dos melhores amigos do sobrinho, também passou uma composição e os dois ainda vão fazer mais um show no evento! .... Cruzes! Que panelaço!

Esclarecendo que cada composição dá R$3.000,00 em ajuda de custo e direito sobre a obra! São R$ 6.000,00 para o sobrinho!

Aos 500 que mandaram música, eu digo, não desistam! Não deixem de perseguir os seus sonhos! Façam suas composições, gravem e vão tentando! Um dia, quem sabe! ... Apesar de estarem batendo de frente com um pessoal que realmente entende de música gaúcha e que se dão muito bem!

Outra. Vai acontecer um festival, faz-se a triagem, e se vão o prefeito e mais uns intelectuais às rádios dizerem que o fulano, beltrano, ciclano (nomes expressivos da cultura gaúcha) classificaram composições no evento! “Parece que isso é mais importante que nomes desconhecidos.” O musicanto em sua primeira edição foi diferente, ele abriu espaço para novos cantores e letristas e houve uma enxurrada de composições lindas! Inclusive o tio, foi o idealizador! Mas parece que não agradou aos interesses.

Já sei! Vou buscar novos horizontes, outros festivais!

Então, me vou ao site do MTG, IGTF e outros de tamanha importância e vemos os sites com a lista dos festivais desatualizadas (DO ANO PASSADO!). Não existe um só site que tenha a lista dos festivais atualizadas e com inscrições abertas! Existem dezenas de festivais no Rio Grande do Sul e nenhum site publica! Só nos sites das cidades que fazem o evento, se acha alguma coisa! Mas, saiu dali, você não sabe mais nada do que está em aberto no RS! A “panela” sabe! Afinal, por que estariam a gravar tantas músicas assim em estúdios!?

Ou seja, aos 500 digo ... se virem! Eu estou tentando me virar, mas não tá fácil! Procuro na internet, nada ou muito pouca informação! Parece que não querem novos talentos, não querem mais inscrições e parece que não se importam com quem quer mostrar seu trabalho!

Tenho dito.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

BURACOS!


Certo dia desses, estava escutando uma rádio local, entrevistando o Secretário de Obras do município. BURACOS! Asfalto esburacado! Herança maldita! Então o entrevistador foi direto ao perguntar ao distinto Secretário por que a prefeitura não tem a sua própria usina de asfalto?! A resposta veio no argumento de que é muito dispendiosa uma usina de asfalto! Então me indago, “Dispendiosa”?!
Minha infância foi na antiga pedreira da Prefeitura localizada na Av. Borges de Medeiros aqui em Santa Rosa - RS. Final dos anos 70, toda a manhã era acordado pela barulheira das máquinas (vibra-dores) que fabricavam tubos de concreto. Mas nas segundas feiras, algo era diferente! Havia uma paz no início do expediente! Levantei, o olhei ao pátio do parque de máquinas que era junto à pedreira. Lá estavam todos os funcionários sentados ao chão a escutar uma pessoa que estava sentada sob uma das latas usadas para colocar a brita nas betoneiras. Fiquei admirado e perguntei a minha mãe quem era o cara que falava ao pessoal da prefeitura. Minha mãe me falou: “É o prefeito!”.
Prefeito?! Ali? Pensei que devia ser alguma coisa importante! Com certeza era importante, mas aquilo se tornou rotina! Toda a segunda feira o prefeito aparecia e sentava junto ao pessoal para direcionar as ações do pessoal da Secretaria de Obras para aquela semana. Lembro-me bem! Esse prefeito resolveu duplicar a capacidade de captação de água da usina de bombeamento de água localizada no Rio Santo Cristo! Então os contrários políticos iam às rádios dizerem “Isto é uma obra faraônica! Pra que gastar tanto?! Vai arrebentar com todo o asfalto até o centro da cidade! Pra que isso?!”
A obra foi feita. E a movimentação na pedreira tornou-se acima do normal! Na parte mais baixa da pedreira encontrava-se a usina de asfalto! Constituída basicamente de um tonel enorme cheio de “pixe” derivado do petróleo, uma betoneira gigante onde era colocada a pedra brita e acrescentava-se o “pixe” quente. Despejava-se no caminhão e esse seguia para a cidade, onde era espalhado por máquinas niveladoras e depois passado o rolo para compactar. Pronto! Estava pronto o asfalto! Eu vi tudo isso, sabia como era feito. E o prefeito calou muita gente com as suas obras! Nos dias de hoje, várias cidades da região em épocas de seca, passam a racionar água. Santa Rosa nunca teve esse problema.
E o prefeito fez história! Está marcado como uma das melhores administrações que Santa Rosa já teve! Estou falando de Antônio Carlos Borges! Grande político, exímio orador! Certo dia desses, estava em Porto Alegre e conversava com o Sr Ney Ortiz Borges, ex-deputado estadual e federal, cassado nos anos de ditadura. Ele me disse a seguinte frase que marcou:
- Omar, vou te falar uma coisa a respeito do Antônio Carlos Borges. Quando eu estava na Assembléia do estado, poucos acompanhavam o discurso dos companheiros. Mas quando o Antônio Carlos Borges, que era de um partido diferente do meu, ia ao palanque, eu sentava assim como vários colegas e apreciávamos o Deputado Borges falar. Era um espetáculo a parte! ...
“Dispendiosa”?! A usina de asfalto é dispendiosa! Sabem por quê?! Por que é mais fácil contratar empresas dessa área que além de superfaturar, contribuem aos partidos nas épocas de campanha! Isso é o que movimenta financeiramente os partidos! Nada de se fazer, e sim, licitar! Faz parte das licitações uma porcentagem destinada a este tipo de negócio! Que pena! Usina de asfalto é dispendiosa! Buracos! Em todas as ruas, nas esferas da política, nas licitações e nas palavras mal ditas!