segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ainda sobre os grupos de Arte e Cultura Nativista.

É muito produtivo a gente debater sobre esse assunto com pessoas bem informadas e formadoras de opinião! No pensar de alguns que não participam desses eventos, consideram o mesmo, um “clube do bolinha”, por entenderem que o mesmo é fechado, mas deveria ser aberto ao público (1), que não se houve ou faz-se nada de produtivo, pois a maioria fica bebendo durante o evento (2), que colocamos a culpa na mídia por não sermos ouvidos (3).


(1) ...que o mesmo é fechado. Entenda-se fechado, pois os convites são distribuídos em sua maioria a compositores, musicistas e apreciadores da cultura gaúcha rio-grandense. Reunimos-nos normalmente a partir da sexta-feira, onde a noite, os compositores e músicos apresentam seus trabalhos. Chamamos essa noite de “Tema Livre”. Muitos chegam com a letra ou com a música pronta. Daí procura-se companheiros para participarem da composição e assim arranjá-la da melhor maneira possível. Violeiros é a grande maioria, mas participam músicos que tocam Bandonion, Gaita (cromática, 8 baixos, ponto e muitas outras), Harpa, Bombo Leguero, Pandeiro, Cajón e muitos outros. Sobem ao palco e são apreciados por um corpo de jurado composto pelos próprios convidados. Cantores e Tocadores de “mão cheia”, que precisam trabalhar no seu dia a dia, pois a música não dá retorno financeiro. Ao final da noite de sexta-feira, é sorteado (divulgado) o “Tema” para a noite seguinte. Chamamos de a “Noite do Tema”. Entenda-se por tema, a palavra ou assunto no qual os letristas participantes elaborarão uma letra inédita. Elaborada essa letra, vai-se em busca de companheiros para musicá-la e arranjá-la para participar á noite. Tudo isso é feito no sábado! É muito legal, ver o pessoal reunir-se e começar a montar composições! Isso ocorre por todo o lado no acampamento!


(2) ...que não se houve ou faz-se nada de produtivo, pois a maioria fica bebendo durante o evento. A bebida é sim consumida durante o evento. Mas o interessante disso, é que a maioria são pessoas casadas, com família constituída, que levam seus guris para participarem e participam apresentando-se no palco e concorrendo na linha “piá”. Que são 2 dias, em que mulheres não participam por uma série de questões, que vão desde ao fato de “juntarmo-nos” para beber, conversar, declamar, cantar, falar bobagens (muitas!), contar piadas inapropriadas ao público feminino e para basicamente, fazermos música, sem nos preocuparmos com assuntos externos, pois os eventos são realizados distantes de sinal de celular ou outro meio de comunicação! Por isso muita gente vai! Para retirar o dia a dia, o estresse. Para as mulheres que lerem este texto, digo que as mesmas reúnem-se entre elas, e participam de um evento semelhante ao nosso daí sim, com toda a família!


(3) ...que colocamos a culpa na mídia por não sermos ouvidos. Eis o principal ponto! (no nosso pensar). Não temos nada contra a música em geral, principalmente se tratando da música gaúcha. A “Tchê Music”, já não toca mais em CTG’s e por isso está muito pouco difundida nas rádios de nossa região. Antes era o xodó, vendida como música gaúcha, de pessoas dançando maxixe em cima de um palco e usando a pilcha campeira como identificação. Essa música interessava as gravadoras.

Já nas rádios, chega a entristecer o modo como são elaborados os programas voltados à música gaúcha. Certo dia estava em negócios em Passo Fundo e tive tempo de escutar uma rádio FM, que toca essencialmente música gaúcha. Um programa que começava às 7 da manhã e ia até as 9, tocou “Tordilho Negro”. Outro programa começou após esse horário, tocou entre as suas músicas, “Tordilho Negro”, e no horário do meio dia novamente os ouvintes estavam solicitando e tocou, “Tordilho Negro”. Ou seja, as rádios não estão preocupadas em difundir novos valores, se o ouvinte ligar e pedir vai tocar! Mas por que não dão a oportunidade dos ouvintes ouvirem novos trabalhos?!

O que não interessa, são a música missioneira e de festivais. O cunho principal da música missioneira desde a sua criação é retratar verdades! E cantar verdades não atrai interesse da mídia. Outro ponto muito importante é que várias composições que hoje participam de festivais de música gaúcha / nativistas, tiveram e tem a sua origem, vindas de encontros de arte e cultura. Mas as músicas de festivais não vendem, não interessa! Ouvir uma música bem dedilhada num violão, cantar as coisas do pago, o dia a dia, cantar verdades, tudo isso não interessa à mídia. Mas digo que, existem gravadoras que lutam para difundir a música nativista gaúcha e a elas, nosso mais sincero respeito e agradecimento.

Então, divulgamos nossos trabalhos assim, participando de um festival aqui e ali (Festivais que na maioria das vezes possuem os mesmos jurados, que quase sempre classifica os mesmos compositores, que por sua vez optam também quase sempre pelos mesmos intérpretes), trocando músicas, vendendo ou comprando CD’s independentes que muitos levam nesses encontros para mostrar seus trabalhos a dez pila (R$ 10,00) cada um. E assim vamos, nos “fechando” para os modismos do momento e fazendo o que gostamos!

E gostaríamos da opinião das pessoas que dizem que somos um clube do bolinha, para nos ajudar a responder como faríamos para exercitar esse nosso gosto pela música nativista se não houvesse esses encontros?! Escutando rádio? Vendo TV?



"O nativismo gaúcho não é uma entidade e sim um movimento cultural cuja união está na identificação pessoal e na semelhança de produção artística de seus membros. Os líderes são os artistas e os organizadores de festivais, mas não há uma hierarquia estabelecida entre eles. Ambos possuem associações independentes na expectativa de uma organização maior, porém não se pode comparar com as diretorias e patronagens do tradicionalismo. Os guerreiros desta tribo são os admiradores da música nativa, da poesia gaúcha e da pajada rio-grandense. Seguem seus ídolos, mas não lhes dão exclusividade. Aplaudem e consomem o produto cultural dos que mais se identificam. Vão aos festivais com o mesmo entusiasmo com que frequentam os CTGs. Há migrantes entre os grupos, contudo pode-se afirmar independente de qualquer pesquisa de que o tradicionalismo municia o nativismo com maior contingente de pessoas do que o contrário.
O tradicionalismo gaúcho é um movimento organizado com uma estrutura hierárquica rígida e um mapeamento do Estado. É quase como um governo paralelo especificamente para o gerenciamento da tradição, mas não exclusivamente. Há uma questão humana intrínseca. Possui um presidente na capital, trinta coordenadores nas chamadas Regiões Tradicionalistas (RTs) e os patrões nos Centros de Tradições Gaúchas." Paulo de Freitas Mendonça - nativismo@nativismo.com.br

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Eu sou um imbecil! ???????



Eu sou um imbecil,

por José Hildebrand Dacanal*


Meu genro era um pobre coitado. Como eu, nascido na roça e sem perspectivas de futuro. Mas eu tivera a sorte de estudar nos antigos seminários da antiga Igreja Católica, e de lá saíra conhecendo oito línguas. Ele não, mesmo porque os seminários e a Igreja daquela época já tinham acabado duas ou três décadas antes dele nascer. Uma coisa, porém, nos unia: a curiosidade intelectual e a ambição de subir na vida. É o suficiente, desde que trilhando o reto caminho, como diria São Paulo.

Quando ele apareceu, trazendo consigo não muito mais que seu bom caráter e a pouca idade, percebi imediatamente que ele era mais uma das incontáveis vítimas que, independentemente do nível econômico e da classe social, formam o desastre civilizatório brasileiro das últimas quatro décadas: 100 milhões de bárbaros, desagregação moral e caos pedagógico. E 60 mil mortos a bala por ano!

Seguindo o velho viés de ordenar o mundo à minha volta e disto tirar as vantagens possíveis para uma vita grata – como diziam os romanos –, ainda que modesta, comecei a pensar no que fazer. Cheguei à conclusão de que, se eu lhe desse alguma qualificação e o treinasse, talvez ele pudesse me ajudar em algumas tarefas braçais básicas, como digitação de textos, editoração etc. Em resumo e na terminologia dos economistas: ele obteria algumas vantagens na relação custo/benefício e eu teria mão de obra barata e confiável.

Foi aí que eu cometi um erro fatal. E um crime pedagógico. Em vez de dizer a ele que “estudar é prazer”, que “cada um deve falar e escrever como quiser”, que “análise sintática é uma velharia inútil”, que “gramática é um instrumento utilizado pela burguesia para dominar os pobres”, que “corrigir redações com caneta vermelha é violentar o aluno”, em vez de proferir tantas e tão brilhantes asnices (que os asnos reais me desculpem!), o que é que eu fiz? Peguei uma vara de ipê de um metro, bati na mesa e disse:

– Meu filho, estudar é sofrimento. Civilização é repressão. Você tem que falar e escrever segundo as regras gramaticais, do contrário você não tem futuro. Vamos começar pela análise morfológica e sintática e pelo latim, para conhecer a lógica das línguas indo-europeias.

Pior do que isto: mandei-o ler livros “velhos”, a ter seus cadernos de vocábulos, a decorar as cinco declinações latinas. E ensinei-o a dissecar sintaticamente orações e períodos. Enfim, utilizei todos os métodos antiquados, renegados e odiados pelos quadrúpedes da pedagogia dita moderna. E então o que aconteceu?

Aconteceu – incrível! – que estes métodos utilizados há 3 mil anos no Ocidente funcionaram. E produziram um milagre. E um desastre.

Um milagre porque em cerca de um ano ele dominou os conteúdos básicos da sintaxe, compreendeu o sentido das declinações e traduzia breves textos latinos. Um desastre porque logo depois ele começou a dar aulas em conhecida instituição, se prepara para o vestibular e certamente cursará Letras. E eu perdi meu auxiliar de confiança e fiquei sem a mão de obra barata que eu treinara!


Veja, surpreso leitor, como eu sou um imbecil! Se eu tivesse aplicado os brilhantes métodos desta récua de asnos defensores e promotores da pedagogia dita moderna, nada disto teria acontecido. Sim, sádico leitor, eis aí a prova irretorquível da verdade: o quadrúpede sou eu. Não eles!

*Jornalista, professor, economista

Publicado no Jornal Zero Hora/RS

Link: Para ver a puclicação clique aqui!

Agora minha opinião!

Saia à rua professor!!! Saia à rua! E verás professores com medo! Ensinar e mostrar ao seu genro quem manda é fácil professor! E ele não iria ficar de seu ajudante para o resto da vida! Deu-lhe asas, e o Sr. reconhece isso como traição!... Que pena! AGORA tente impor esse seu rigor nas escolas públicas, e verá seu carro apedrejado ou o Sr mesmo lastimado por atos de vandalismo puro! Não temos e nem teremos a mínima condição social e de segurança para voltar a este ensino que o Sr prega. Portanto, ao invés de pregar autoridade (pois se bateres com uma vara em cima da mesa numa sala de aula, no outro dia todos os pais dos alunos abrem processo contra o Sr!)ajude a formular novas metodologias de ensino! Fácil criticar o que está errado. Antigamente o professor era visto como intelectual social, mas hoje é um mero ser humano trabalhando! Eu sou um imbecil! ... Saia à rua professor! Saia à rua! Franco, Licenciatura em Computação.